sexta-feira, 20 de setembro de 2019

4.

A um passado distante:

Dei por mim a pensar em ti, ontem ao final do dia e hoje ao acordar. Não sei o motivo, talvez o silêncio que se abateu sobre os meus últimos dias. Talvez a parecença em não necessitar de mim. No fundo, a questão é que tenho pensado em ti. 
Pensado no vazio que me deixaste, no quanto despedaçada fiquei. 
Engraçado como me parece tão distante. Parece que eu era outra pessoa quando fazias parte da minha vida.
Curioso como eu achava, mesmo, que nunca mais amaria. Tão enganada que estava. Eu amo, sabes? Pode ser diferente do  amor platónico que sentia por ti, aquele amor quase perfeito porque não era do dia a dia. 
No entanto, perco-me no abraço dele, no cheiro dele, no olhar dele, como nunca antes. São dias, horas, momentos, vividos numa bolha a dois. Numa realidade que pode não ter futuro, mas que é vivida dia a dia, sem planos, sem promessas facilmente quebradas. 
Às vezes penso que nós podíamos ter tido tudo. No entanto, agora, sei que foi melhor assim. Nunca fui eu, contigo. Nunca soube coisas sobre mim, contigo. Aprendi tanta coisa sobre mim nestes últimos meses. E tu não estás. E nada nos liga. Nada nos une. Acho que já nem a memória do passado que nunca foi.

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