domingo, 29 de setembro de 2019

8.

Há pequenos gestos que me fazem toda a diferença. Quais? Quando percebem que estou de mau humor e tentam, subtilmente, animar-me.
Podem dizer uma piada, dar-me um elogio. Ou então, fazer como ele fez: abanar-me a perna enquanto conduz o meu carro e diz: 
"Olá, bom dia! Olá!" 
"Está bem." - respondo eu de braços cruzados sobre o peito e a olhar para a janela.
"Estou a meter-me contigo. Olaaa" - e continua a abanar-me a perna.
Olho para ele. Ele para. Pousa a mão na minha perna e vira-a para cima.
"Então olá" - diz sorrindo.
Pouso a minha mão na dele e encosto a cabeça no seu ombro. Ele continua a conduzir. O silêncio instala-se. Leva-me a comer um croissant com chocolate. Simples. Não curou o meu mau humor, mas ajudou bastante.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

7.

Aquele cansaço de alma que te faz adormecer tarde apesar dos olhos doerem e picarem.
Detesto esse cansaço...

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

6.

O ser humano tem uma enorme capacidade de se adaptar à realidade da vida. No entanto, apesar de toda essa nossa capacidade, por vezes precisamos de respirar e parar.
O que é para mim parar? É reconectar-me com a Natureza, com o mais básico de nós. 

Este fim de semana foi mais um de me permitir reconectar com a natureza, as origens. 
O truque: ir com uma pessoa que adoras, com quem tens uma relação bastante boa e com quem sabes que por mais horas juntas que passem tudo vai correr bem. Não fazer grandes planos, ter uma ideia e gerir o tempo  como nos apetecer. Escolher um lugar onde sabes que te sentirás feliz. E apenas aproveitar. Aproveitar a natureza, a amizade, os locais e a boa comida. 

Respirar. Parar. Viver. Ser feliz. Por vezes, só isto é o necessário para recarregar baterias e voltar feliz!

5.

Aquele momento em que te aproximaste de mim e disseste ao meu ouvido: amo-te muito. Esse momento, após os nossos últimos dias, deixou-me com os pulmões cheios de ar e o coração a dançar no peito.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

4.

A um passado distante:

Dei por mim a pensar em ti, ontem ao final do dia e hoje ao acordar. Não sei o motivo, talvez o silêncio que se abateu sobre os meus últimos dias. Talvez a parecença em não necessitar de mim. No fundo, a questão é que tenho pensado em ti. 
Pensado no vazio que me deixaste, no quanto despedaçada fiquei. 
Engraçado como me parece tão distante. Parece que eu era outra pessoa quando fazias parte da minha vida.
Curioso como eu achava, mesmo, que nunca mais amaria. Tão enganada que estava. Eu amo, sabes? Pode ser diferente do  amor platónico que sentia por ti, aquele amor quase perfeito porque não era do dia a dia. 
No entanto, perco-me no abraço dele, no cheiro dele, no olhar dele, como nunca antes. São dias, horas, momentos, vividos numa bolha a dois. Numa realidade que pode não ter futuro, mas que é vivida dia a dia, sem planos, sem promessas facilmente quebradas. 
Às vezes penso que nós podíamos ter tido tudo. No entanto, agora, sei que foi melhor assim. Nunca fui eu, contigo. Nunca soube coisas sobre mim, contigo. Aprendi tanta coisa sobre mim nestes últimos meses. E tu não estás. E nada nos liga. Nada nos une. Acho que já nem a memória do passado que nunca foi.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

3.

Ao sair de casa, logo cedo pela manhã, ia a conduzir e a tentar escapar ao início do trânsito, quando um pensamento me apanhou desprevenida. 
Expressão engraçada esta, um pensamento apanhar-me desprevenida, como se o pensamento fosse algo palpável, físico. Bem, continuando....
Percebi que foste a única pessoa, até este momento da minha vida, a quem chamo, diariamente e várias vezes ao dia, de "amor meu". Já houve a quem chamasse de "querido" ou "love". Nunca de "amor meu". 

Bem como a expressão "amo-te". Expressão essa dita, certo dia, sem aviso e sem pensar, só sentindo. Desde quando te amo? Não sei, toda a minha vida. Apesar desse amor ser diferente, mas sempre foi amor, desde que me lembro de ti, e lembro-me de ti desde que nasci porque estiveste lá desde esse momento. 
Amo-te. Independentemente do amor que sentimos, sempre o foi e sempre o será. 

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

2.

Aprender a gerir os meus sentimentos não é tarefa fácil. É-me difícil entender que, por vezes, a única maneira que tenho para ajudar quem amo é fazendo a única coisa que não me apetece mas foi a única que me foi pedida - um tempo sozinho, precisa de parar e desanuviar a cabeça. 
Ajudar alguém não estando lá é-me difícil. No fundo, é um problema meu esta questão, que nada tem a ver com a outra pessoa. Cada pessoa tem o seu método, o seu tempo. 

Tempo. Noção caricata e abstrata. Quanto tempo? Um dia? Uma semana? Apenas umas horas? Quanto tempo é preciso para voltar a sentir vontade de comunicar? 
Não importa. Não posso pensar no assunto. Posso só ajudar como me foi pedido: não fiques em silêncio, mas não te chateis se apenas te ouvir e nada disser. 

Não fiques chateada. Não consigo, entendo-te bem de mais para me chatear. Não fiques em silêncio. Não consigo, amo-te demais para ficar. Dá-me tempo. Darei, porque prometi dar-te tudo o que me fosse humanamente possível dar-te.

Esperarei. 

1.

Ultimamente, tenho sentido vontade de escrever. Quando era mais nova, escrevia em cadernos, rabiscava ideias, sentimentos e pensamentos aqui e além. Neste momento, andar com um caderno comigo é algo que não me apetece já que a minha mala anda sempre pesada no meu dia a dia. E canetas? Para escrever em cadernos precisava de andar com canetas e isso é muito raro. Característica estranha esta, já que preciso de canetas todos os dias. Mas as canetas são como a minha paciência, desaparecem...

Deste modo, decidi criar um blog, só porque sim.  Só porque sinto necessidade de escrever.

E escrever sobre o quê? Bem, sobre tudo e sobre nada. Sobre isto e sobre aquilo. Nada que vá interessar à maioria das pessoas, possivelmente só interessará a mim. Garanto que não escreverei sobre nada que mude o mundo, possivelmente também não escreverei nada cómico ou fenomenal. Serão apenas ideias, pensamentos perdidos dentro de mim que me apetecem ver escritos. 

Se por aqui andarem, se vos apetecer ficar, fiquem e sejam bem vindos.